VITÓRIAS QUE ILUDEM OS TOLOS?
Há vitórias que não podem passar de erros de arredondamento quando é feita a contabilidade ao longo de uma época desportiva
13 Jul 2020 | 10:19
Assim, o Braga conseguiu o que queria, utilizando uma das máximas do futebol: "Quem não chora, não mama". Varandas, Viana e Beto, com tantos anos de futebol português, foram “comidos de cebolada”.
Terminada a 31ª jornada da Liga NOS, temos o Sporting no 3º lugar, com 3 pontos de vantagem sobre Braga, clube com o qual temos desvantagem direta, o que faz com que a deslocação ao Dragão, nesta quarta-feira, pelas 21:30, se revista ainda de maior importância. Dado que aos azuis e brancos basta um ponto para se sagrarem campeões nacionais, espera-se um FC Porto determinado e competitivo para o jogo. Assim, cabe a Rúben Amorim fazer aquilo que já fez este ano ao serviço do Braga, tanto na cidade invicta como, na Taça da Liga, na dos arcebispos: ganhar! Será uma vitória que, na prática, é dupla, visto que arrecada os 3 pontos, mantendo a distância para o quarto classificado, bem como terá o efeito moral de dizer aos azuis e brancos: Somos o Sporting e não nos prestamos a ser “os bombos da festa” de ninguém! No entanto, tal como antecipado na crónica da semana passada (1), pois já acompanho atentamente o futebol do Sporting desde o inicio da década de 90, o epifenómeno de “euforia” e “foguetes” alicerçada nas quatro vitórias consecutivas, contra adversários do fundo da tabela, bateu de frente com a realidade em Moreira de Cónegos. Em futebol, dado ser um desporto coletivo, a falta de humildade e sobranceria, tanto no campo como na comunicação fora dele, pagam-se caro. No lançamento da jornada 30, o Braga jogou a sua cartada de pressão sobre a arbitragem, sem qualquer pudor de afirmar que "também deteta um benefício de 5 pontos para o competidor direto, o Sporting CP”. (2) Porventura, iludidos com a teoria do “foguete” (3), os dirigentes do Sporting desprezaram esta movimentação. Nem com a nomeação de Tiago Martins, com Jorge Sousa no VAR, árbitros que têm sempre “azar” nas decisões com o Sporting, soaram os alarmes. Para além do mais, devia-se ter tido em conta que o Moreirense é uma das boas equipas deste campeonato, organizada, sabedora dos truques do futebol português, como demonstrou o teatro de Pasinato (4), telecomandado a partir do banco de suplentes do Moreirense, permitindo recompor a defesa após a expulsão de Halliche. Assim, numa noite em que tivemos Tiago Martins/Jorge Sousa por um lado e alguns jogadores do Sporting “deslumbrados” pelo outro, não se conseguiu arrecadar a vitória, aproximando-se o Braga, numa vitória por 1-5 com o Paços Ferreira, onde os dois primeiros golos foram, imagine-se, conseguidos através de penaltys (5), convertidos por Paulinho… Assim, o Braga conseguiu o que queria, utilizando uma das máximas do futebol: Quem não chora, não mama. Varandas, Viana e Beto, com tantos anos de futebol português, foram “comidos de cebolada”. Depois, por muita reações e comunicados que se façam, os 3 pontos já não voltam. Esta falta de presença e influência na arbitragem, em desfavor do Sporting, é algo de crónico nas últimas décadas, pelo que, foi com estupefação que se soube, a semana passada, que se iria dispensar Hernâni Fernandes 6), precisamente com a função de falar “a língua dos árbitros”. É que a “língua” de Viana, depois do “mal estar feito”, apenas serve para baixar o nível e o Sporting pagar as multas no valor de milhares de euros (7). Como apreciador de Xadrez, foi com expectativa que iniciei a leitura do editorial de André Bernardo, vogal da Direção, administrador da SAD e, também, diretor do jornal Sporting, intitulado “Sporting CP, Kasparov e MTQ” (8). Tratou-se duma adaptação do equilíbrio entre os fatores Material, Tempo e Qualidade, dum livro de Kasparov, aplicada ao Sporting. André Bernardo afirma, numa alusão a Bas Dost, "Abdicar do melhor marcador de equipa, com salário anual de 6M€, na fase final e decrescente da sua carreira é uma decisão tática em nome de uma estratégia”. Bas Dost saiu com apenas 30 anos, tendo no seu currículo 93 golos em 127 jogos, com média de um golo a cada 90 minutos (9), tendo conquistado duas Taças da Liga e uma Taça de Portugal, bem como uma Bola de Prata (10). No entanto, afirma que “o segundo, dinheiro, passa pela possibilidade ganhar tempo adquirindo material que consideramos aportar qualidade de forma mais imediata ou critica no processo. E é o que fizemos (..) na contratação de Sporar e Rúben Amorim”. Sendo que Sporar, de 26 anos, pode custar mais de 12 milhões de euros mais o ordenado que aufere (11), verifica-se que é depositada mais fé no rendimento, por provar, de Sporar do que ter mantido Bas Dost, que provou, em três épocas, a sua valia no campeonato português, e que, certamente, não teria ficado em branco nos jogos com o Moreirense e Santa Clara. Tal como Mathieu, a qualidade não é inversamente indexada á idade. Já para não falar que, ainda esta época, se gastaram vários milhões de euros em Jesé Rodriguez, Bolasie e Fernando para colmatar a saída do goleador holandês. O que diria Kasparov desta opção de se trocar o certo pelo incerto? O epílogo do artigo deve, de facto, ser lido e relido: “Kasparov acrescenta um outro factor decisivo: confiança, destacando que “as nossas táticas devem ser guiadas pela nossa visão estratégica e global e pelos nossos objetivos”", acrescentando, de seguida, “E, portanto, quem decide não pode andar a ziguezaguear ao sabor dos ventos da pressão”. Não obstante o facto de André Bernardo só ter assumido funções em 2020, o que é facto é que esta Direção e Administração da SAD está em funções há dois anos, desde 2018. E, em apenas dois anos, já passaram pelo comando técnico José Peseiro, Tiago Fernandes, Marcel Keiser, Leonel Pontes, Jorge Silas e Ruben Amorim... Até Kasparov, xadrezista, veria aqui um enorme ziguezague na condução da política para o futebol!
Diretor Leonino
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