ÀS PORTAS DO SONHO
Sócio do Sporting CP conta-nos a sua viagem até Alkmaar, onde assistiu a mítica partida que faz hoje 15 anos
Redação Leonino
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5 de Maio 2020, 11:00

Já recordámos a mesma data aqui, no Leonino, com as palavras de Ricardo, guardião do Sporting CP na altura (LER AQUI), mas, desta vez, quisemos ver, além de quem viveu do relvado, quem viveu a mítica noite de 5 de maio de 2005 da bancada.

Paulo Jorge, Sócio número 8.002 dos leões, é um adepto assíduo. Tem tanto Gamebox no Estádio José Alvalade, como no Pavilhão João Rocha, pois opta por estar presente em todos os momentos do Clube e viver a pura alegria simplesmente de ser Sporting CP. Há 15 anos, o mesmo se verificava e, em Alvalade, viu a sua equipa colocar-se na frente das meias-finais da UEFA, como tal, a oportunidade de viajar até à Holanda surgiu e Paulo não a desaproveitou.

“Na primeira mão ganhámos por 2-1, em Alvalade. A segunda seria, então, um jogo decisivo para estarmos na tão ambicionada final no nosso Estádio. Estando às portas do sonho, na minha cabeça não havia uma outra possibilidade que não acompanhar a equipa, juntamente com os meus amigos, e estar presente neste momento tão importante do Clube”, começou por dizer, em exclusivo ao Leonino, antes de contar a história desse dia que, diga-se de passagem, foi recheada de peripécias, logo começando no voo de Lisboa para Amesterdão.

“Só via aproximar-se a hora do jogo”

“Com cerca de uma hora e meia de voo já feito, o avião dá a volta e retoma a rota de regresso para Lisboa, depois de nos informarem de uma avaria técnica. Só via aproximar-se a hora do jogo, já tínhamos imaginado que o almoço em Amesterdão não se iria realizar e, provavelmente, até a chegada a tempo seria difícil”, contou-nos. Aqui, a dúvida instala-se: Chegariam a tempo do jogo? Depois de algumas horas de espera, conseguem efetuar a viagem e finalmente chegar à Holanda, onde o tempo escasseava.

A verdade é que chegaram a tempo, mas no momento da entrada no estádio, mais um problema: “Quando consigo finalmente entrar, a escassos dois ou três minutos do jogo começar, reparo que não havia um único lugar nas bancada reservada aos nossos adeptos de onde se conseguissem ver as duas balizas”, relembrou com alguns sorrisos.

“A eliminatória parecia definitivamente perdida”

Paulo decidiu subir a um muro do estádio, o único sítio de onde conseguia ver o jogo em condições. Ao intervalo, a partida estava empatada a uma bola, o que daria a passagem do Sporting CP à final, mas na segunda parte tudo se complicou.

“Na segunda parte… ou terceira, ou quarta, porque foi um sofrimento tão grande que parecia que não tinha fim, o AZ faz o 2-1, empurrando o jogo para prolongamento. Depois, 10 minutos antes do final da partida surgiu o 3-1 e a eliminatória parecia definitivamente perdida”, disse, mas como um Sportinguista nunca perde a esperança, eis que chegou o último minuto da partida e o milagre acontece. Após canto batido por Tello, Miguel Garcia cabeceia para o fundo da baliza.

“O estádio veio abaixo. Festejámos, à chuva, ao frio, foi um momento difícil de descrever”, disse Paulo, relembrando o relato do feito por Jorge Perestrelo continua a ser, para este leão, uma forma de recordar toda a emoção sentida naquele momento.

“Quando ouço esse relato e quando ouço a emoção que ele passa, parece que aí está sintetizado e resumido tudo o que foi sentido por mim e por todos aqueles que foram os heróis de Alkmaar”, sublinhou.

“Repetia tudo outra vez, as vezes que fossem precisas”

A verdade é que a final ficou longe do esperado, o tão desejado título europeu não foi conquistado em casa, mas Paulo não se arrepende de nada. “Não foi a primeira vez que acompanhei, já o tinha feito antes e mesmo depois disso voltaria a fazê-lo. A emoção de ganhar jogos fora, toda aquela união e o ambiente que se gera entre os adeptos é indescritível. Repetia tudo outra vez, as vezes que fossem precisas”, vincou.

Para terminar, este Sócio leonino deixou uma mensagem bem clara da forma como leva o seu Sportinguismo, algo que se une aos ideais e mensagens passadas pelo símbolo do leão rampante: “Ganhando ou perdendo, sempre lá. É o que espero para agora, para o futuro, para mim e para os meus filhos, que penso que vão honrar este legado que lhes vou deixar enquanto Sportinguista”, rematou.

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