“O MIGUEL FAZ GOLO PORQUE LHE DISSE PARA ATACAR O PRIMEIRO POSTE”
Em declarações exclusivas ao Leonino, Ricardo, guarda-redes titular do Sporting CP entre 2003 e 2007, falou sobre a caminhada europeia dos leões na temporada de 2004/2005
Redação Leonino
Texto
5 de Maio 2020, 09:00

Passam hoje precisamente 15 anos desde o mítico jogo das meias-finais da Taça UEFA frente ao AZ Alkmaar. Quando muitos já deitavam a toalha ao chão, Miguel Garcia, ao minuto 120, fez o golo que colocou o Sporting CP na final da prova. Em declarações exclusivas ao Leonino, Ricardo, guarda-redes titular dos leões entre 2003 e 2007, falou sobre a caminhada europeia do Clube de Alvalade nessa época.

“Foi um momento fantástico. O Miguel (Garcia) faz golo porque lhe disse para atacar o primeiro poste”, começou por contar, entre algumas gargalhadas, o antigo internacional português.

O guardião afirmou, ainda, que, se o seu companheiro não tivesse feito golo, ele próprio estava naquela zona para finalizar: “Iria sempre atrás dele para aproveitar a sobra porque, por norma, não marcam os guarda-redes e eu até tinha algum jeito para fazer golos nessas circunstâncias. Se ele não faz golo, eu já estava naquela zona para empurrar”.

Ricardo confidenciou também que sabia que Rodrigo Tello ia bater o canto para a zona do primeiro poste: “Com as condições em que estava o campo e pela forma como batíamos os cantos, o mais provável era que a bola acabasse por cair naquela zona. Foi o que acabou por acontecer. O Miguel entrou muito bem ao primeiro poste e foi feliz”.

“Tínhamos pela frente um adversário fortíssimo. O CSKA era uma equipa de luxo”

O Sporting CP acabou mesmo por seguir para a final da Taça UEFA que, nesse ano, se disputou precisamente no Estádio José Alvalade. No entanto, após a turma de José Peseiro ter chegado ao intervalo a vencer (1-0, com golo de Rogério), o CSKA acabou por dar a volta ao marcador (3-1) e vencer a prova.

Relativamente a esse encontro, e sobre o que correu mal para que o Sporting não tivesse vencido, Ricardo destaca a qualidade da equipa adversária e recusa a ideia de que o fator casa tenha jogado contra a equipa: “Jogar em casa é sempre bom. Não foi por isso que perdemos. Passaram-se várias coisas, mas a principal foi o facto de termos pela frente um adversário fortíssimo, com uma equipa de luxo. Era um CSKA muito forte”.

O antigo internacional português recordou que os leões poderiam ter feito o 2-1, mas que, no contra-ataque dessa mesma jogada, os russos passaram para a frente do marcador: “Saímos para o intervalo a vencer. Após o empate, tivemos uma oportunidade flagrante para fazer o 2-1. A bola não entra e, no contra-ataque, eles fazem golo. A partir daí, foi muito difícil dar a volta ao resultado”.

Ricardo considerou também que a equipa estava muito desgastada, tanto mentalmente como fisicamente, e que isso acabou por ditar o desfecho final: “Tanto em termos anímicos como físicos, foi uma semana muito difícil porque, de facto, estávamos esgotados”.

“Foi o jogo mais épico que joguei em Alvalade”

Apesar da derrota na final frente ao CSKA, o antigo guardião leonino guarda com carinho todo o percurso realizado nesse ano, mas especialmente o jogo da segunda mão dos quartos-de-final diante do Newcastle: “Foi o jogo mais épico que me lembro de jogar em Alvalade. Estivemos a perder 1-0 e tínhamos de marcar três golos sem sofrer nenhum. Acabámos por marcar quatro. Foi fantástico. Houve uma comunhão tremenda entre a equipa e o público”.

Ricardo recordou que, na primeira mão, em que o Sporting CP saiu derrotado, por 1-0, teve um lance bastante perigoso com Shola Ameobi: “Estava uma noite muito fria e condições bastante complicadas. Lembro-me bem desse jogo porque, no final da primeira parte, tive um lance com Shola Ameobi onde ele, com uma entrada a pés juntos, praticamente me destruiu a cabeça. Fiquei com a cara toda deformada, mais especificamente o maxilar. Mesmo com bastantes dores, joguei até ao fim”.

O guarda-redes, hoje comentador da SportTV, confessou que, nessa mesma noite, foi ao hospital e quase não conseguia regressar com a equipa para Lisboa: “No final do jogo, fui para o hospital e não me queriam deixar viajar devido aos traumatismos que tinha, mas lá consegui que me deixassem regressar com a equipa”.

 

  Comentários