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09 Jun 2020 | 09:07
Breves notas sobre as contas consolidadas do Sporting Clube de Portugal relativas à época 2018/19 e as contas do terceiro trimestre da corrente época da Sporting SAD.
Já com algum atraso, irei fazer no presente artigo umas breves notas sobre as contas consolidadas do Sporting Clube de Portugal relativas à época 2018/19 e as contas do terceiro trimestre da corrente época da Sporting SAD.
Sobre as primeiras há a dizer, em primeiro lugar, que se estranha a falta de ida das mesmas à Assembleia Geral do Clube, o que julgo ser obrigatório à luz da legislação em vigor, aplicável às Entidades do Setor Não Lucrativo. Adicionalmente, nada justifica que as contas tenham sido aprovadas e auditadas tão tardiamente face à data a que respeitam.
Quanto aos números apresentados, os mesmos não deveriam apresentar grandes surpresas, tendo em consideração que as contas individuais do Clube e da SAD já eram conhecidas há bastante tempo. No entanto, comparando o resultado líquido consolidado negativo em 11,4 milhões de euros, estranha-se a dimensão do mesmo já que a maior entidade do Grupo Sporting, a Sporting SAD, que justifica normalmente a quase totalidade dos resultados consolidados, ter apresentado, em junho de 2019, 7,9 milhões de euros de prejuízo. Por comparação, em 2017/18, o resultado líquido consolidado foi de 19,1 milhões de euros negativos, sendo o prejuízo da SAD nesse período de 19,9 milhões de euros. E em 2016/17, o resultado consolidado foi de 35,3 milhões de euros positivos, representando a SAD um valor de 30,5 milhões de euros de lucro. Assim, há em 2018/19 uma diferença negativa de 3,5 milhões de euros que necessitaria de uma justificação mais clara, que não se encontra no relatório e contas e que só pode advir de outra entidade do Grupo Sporting ou pelo lançamento de algum ajustamento de consolidação. A seguir com atenção.
Em termos de notas principais, nota-se um aumento significativo no volume de negócios, que atinge 169,3 milhões de euros, que compara com 144,1 milhões de euros do ano anterior. Apesar desse resultado, que fundamentalmente resulta das vendas de Jogadores, incluindo os acordos de transação efetuados com os jogadores que rescindiram, não houve a capacidade de ajustar os gastos ao facto de não se ter ido à Champions League, originando o já referido prejuízo. Saliento, nas receitas, a quebra de cerca de 265 milhares de euros de receitas de quotizações, que reflete, quanto a mim, a má relação que se tem tido com muitos sócios e a falta de convocação de Assembleias Gerais, fundamentais para a discussão dos assuntos do Clube e que, por norma, fazem os sócios pagar as suas quotas em atraso para poder estar presentes nas mesmas.
Outra nota negativa vai para os gastos financeiros, em que, tradicionalmente o Sporting apresentava gastos com empréstimos bastante mais baixos que os dos seus concorrentes e que, neste exercício de 2018/19 aumentam quase três milhões de euros, fruto do custo das operações de antecipação de créditos que terão mais que quadruplicado o custo normal de financiamento do Clube. Aqui, perde-se um dos fatores competitivos que o Sporting tinha, em que, apesar do nível de endividamento, tinha, historicamente conseguido manter taxas de financiamento bastante competitivas.
Quanto às contas da SAD, relativas ao terceiro trimestre da corrente época de 2019/20, já muito foi escrito e analisado. Apresentam um resultado líquido positivo de 30,4 milhões de euros. Deixo só algumas notas que me fazem duvidar da capacidade da empresa acabar o ano com lucro, o que se desejaria, face a todo o discurso da herança recebida que tem permitido, não só a venda de passes de jogadores, como a antecipação de créditos do contrato da NOS. Esta, infelizmente, com os já referidos custos desproporcionados e demonstrativos de falta de capacidade negocial.
De facto, apresentando um lucro nos primeiros nove meses do ano de 30,2 milhões de euros, nota-se a incapacidade de redução efetiva dos gastos operacionais, apesar de todo o discurso. Gostaria de salientar aquilo que não se verifica estar registado neste trimestre e que poderá originar perdas acrescidas face a um último trimestre que se defronta com a crise COVID-19:
3. O valor relacionado à contratação do atual treinador apresenta um registo de 10,4 milhões de euros como gasto a reconhecer com a equipa técnica. Esta será, certamente, uma questão a dirimir com os auditores dado que não é prática corrente estes valores passarem para outros anos e por não se tratar de um ativo intangível equiparado aos atletas.
Assim, em condições normais, o resultado do último trimestre, rondaria os 16 milhões de euros negativos. Se a esse valor acrescentássemos alguns dos montantes identificados nos pontos acima, e não existirem mais valias relevantes (ou que se receba algum dos montantes relacionados com a recente decisão contra o jogador Rafael Leão), o exercício findo em 30 de junho poderá apresentar prejuízo. Na época em que o Sporting fez a sua maior venda de sempre, seria lamentável.
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