VITÓRIAS QUE ILUDEM OS TOLOS?
Há vitórias que não podem passar de erros de arredondamento quando é feita a contabilidade ao longo de uma época desportiva
18 Jul 2020 | 11:00
Enquanto tentamos digerir esta queda nos números, seria importante reflectir na estratégia para recuperar quem quebrou a fé e isso passa por uma reflexão sobre o planeamento da próxima época.
Esta semana ficou concluído o processo de renumeração dos sócios do Sporting Clube de Portugal. Segundo o comunicado oficial do Clube¹, dos 120.435 sócios que se apurou existirem na anterior renumeração (2015), ficaram 106.625 sócios.
Em primeiro lugar, é preciso ressalvar que os critérios da renumeração nunca são iguais e isto porque os Estatutos do Sporting Clube de Portugal assim o permitem, na medida em que, no que à numeração dos sócios diz respeito, apenas estipulam, no artigo 19º nº 3 que a mesma é actualizada nos anos terminados em zero e cinco.
Quer isto dizer que, a cada Direcção (uma vez que um mandato tem duração inferior a um ciclo de renumeração), os critérios para levar a cabo a actualização podem ser diferentes e incidir sobre factores distintos, nunca sabendo nós muito bem o que irão ditar as regras da renumeração até ao momento em que se inicia o seu processo.
O critério mais consensual e de bom senso é o mais utilizado, ou seja, a falta de pagamento de quotas durante um período de tempo considerável. Mas já assistimos à utilização de outros critérios que, dada a abertura dos Estatutos, seriam perfeitamente possíveis de ser utilizados.
Contudo, o facto de não existir um critério uniformizado para a renumeração é, também ele, um factor de discórdia. Pois que, naturalmente, se num ciclo foram uns os requisitos, é normal que se crie uma expectativa nos sócios de que será o mesmo, num próximo ciclo.
Isso, como tantas outras coisas no nosso Clube, cria discórdia desnecessária e faz com que, para muitos, a queda acentuada no número de sócios tenha sido um choque e motivo de preocupação.
Para outros, resistem 106.625 bravos (ou loucos) que, ainda que insatisfeitos com o presente do Clube, resolveram ficar para, no mínimo, apoiar e, no limite, participar da vida do Clube, através dos momentos em que tal é possível, como sejam as Assembleias Gerais.
Daí que, tal como venho defendendo, os nossos Estatutos necessitem de uma reforma profunda. E não falo de alterar um ou dois artigos cirurgicamente, daqueles que só servem quem está no poder no momento e pouco mais. Falo de uma verdadeira reformulação dos mesmos, onde todos os artigos sejam revistos e repensados, sempre na óptica dos melhores interesses do Clube e dos seus sócios.
E não se tente tapar o sol com a peneira, pois que, apesar de se assistir a fortes divisões no seio do Clube, que prejudicam a grande instituição que o Sporting Clube de Portugal é, a quebra de sócios é também decorrência da falta de resultados desportivos da equipa de futebol sénior.
Por mais que sejamos Sportinguistas e da raça que não se verga, também somos humanos e também nos cansamos e desiludimos. Aí não há diferença nenhuma. Por isso acredito que, havendo resultados desportivos positivos, o rombo que agora se levou no número de associados, seja apenas uma nuvem negra passageira que se consiga dissipar.
Contudo, enquanto tentamos digerir esta queda nos números, seria importante reflectir na estratégia necessária para recuperar quem quebrou a fé e isso passa, necessariamente, por uma profunda reflexão sobre o planeamento da próxima época.
1 - https://www.sporting.pt/pt/noticias/clube/comunicados/2020-07-15/Eu-sou-renumera%C3%A7%C3%A3o-2020
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