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O dia em que o Sporting se despediu de Joseph Szabo, o treinador com mais vitórias no Clube
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Histórias do Leão
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Ricardo Sá Pinto foi preso dias antes de começar a pré-temporada, enquanto jogador, no Sporting. Na presença num podcast, o antigo atleta – com 228 jogos pelos verdes e brancos – e técnico revelou um episódio menos positivo que aconteceu aquando da sua mudança do Salgueiros para Alvalade, em 1994.
Ricardo Sá Pinto: “Primeiro dia foi giro. Fui logo preso”
“O primeiro dia foi giro. Fui logo preso. É ridículo, mas aconteceu. Foi uma coisa de meia hora. Ia atrasado para o concerto [do Bryan Adams]. Começava a época passado dois dias. Cheguei e ponho um carro num sítio onde o senhor dos apartamentos me deixou”, começou por relatar Ricardo Sá Pinto.
“Só que a polícia tinha ali uma barreira para não deixar por toda a gente. Eu respondi que o senhor me tinha autorizado. Deu? Então a partir de agora vou tirar a barreira e vai entrar toda a gente. E disse isto mesmo com alguma maldade”, acrescentou o antigo técnico e jogador do Sporting.
Ricardo Sá Pinto: “Exaltei-me um bocadinho”
“E eu a olhar para o relógio, o concerto quase a começar. Ó senhor guarda, por amor de deus, então se o senhor me está a dar autorização, deixe-me lá colocar aqui o carro. Enfim, aquilo ata e desata, boca para aqui boca para acolá. Exaltei-me um bocadinho porque queria ver o concerto e já não tinha lugar em lado nenhum”, contou Ricardo Sá Pinto.
“Aquilo deu para o torto. Depois lá veio os colegas e tal. O Sá Pinto do Sporting e aquilo resolveu-se. Acabei por deixar o carro lá”, finalizou o antigo jogador e técnico do Clube de Alvalade no podcast ‘Fora de Jogo’, onde revelou mais algumas histórias do tempo em que representou o Sporting.
Enquanto jogador, Ricardo Sá Pinto representou o Sporting durante nove temporadas. Nessas épocas, o antigo internacional português realizou 228 partidas, marcou 50 golos e conquistou seis títulos: um Campeonato Nacional (2001/02), duas Taças de Portugal (1994/95 e 2001/02) e três Supertaças Cândido de Oliveira (1995, 2000 e 2002).
Já como técnico - recorde a história da chegada à equipa principal -, Ricardo Sá Pinto orientou o Sporting em 30 encontros (15 vitórias, sete empates e oito derrotas). Depois de ter sido campeão pelos juniores leoninos, o treinador de 52 anos levou os leões às meias-finais da Liga Europa, com destaque para a eliminatória em que os verdes e brancos deixaram pelo caminho o Manchester City.
Confira as declarações de Ricardo Sá Pinto ao recordar que foi preso antes do concerto de Bryan Adams:
Antigo dirigente dos leões exerceu funções entre março de 1962 e maio do ano seguinte e esteve ligado ao 15.º título de campeão nacional
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Joel Azevedo da Silva Pascoal (27 de janeiro de 1899 – 10 de novembro de 1978) foi um distinto militar, desportista e dirigente desportivo. Natural de Lisboa, tornou-se sócio do Sporting a 21 de outubro de 1920 e ficou em evidência desde cedo, a sua paixão pelo desporto e, acima de tudo, pelo Clube.
Como desportista, praticou diversas modalidades, incluindo vela, esgrima, ginástica, remo e ténis, envolvendo-se cada vez mais no emblema de Alvalade, de tal forma que, já numa idade mais avançada, iniciou funções como dirigente no mesmo.
Na época 1940/41, integrou a Direção de Joaquim Oliveira Duarte, como Vogal, e na que se sucedeu foi eleito 1.º Secretário da Mesa da Assembleia Geral, presidida por Campos Figueira. Fez, ainda, parte do Conselho Geral em várias ocasiões.
A 26 de fevereiro de 1962, durante uma Assembleia-Geral, foi nomeado Presidente do Sporting e tomou posse a 19 de março do mesmo ano. O seu mandato, que se estendeu até 10 de maio de 1963, ficou marcado pela conquista do 15.º título de campeão nacional de futebol do Clube.
Para além do seu papel no Sporting, Pascoal teve uma carreira distinta na Marinha portuguesa e alcançou o posto de Contra-Almirante. Durante o período em que serviu em Moçambique, assumiu a presidência do Sporting Clube de Lourenço Marques e ainda chegou a presidir a Associação de Futebol de Lisboa e a Federação Portuguesa de Natação.
Em junho de 1969, idealizou e fundou o Grupo 'Os Cinquentenários', um "agrupamento que integra um universo sócio-desportivo em que o Sporting é Mátria incontestável". Para fazerem parte, os interessados tinham de apresentar uma credencial única com mais de meio século de associativismo continuado no seio da família Sportinguista.
Joel Pascoal morreu a 10 de novembro de 1978, aos 79 anos, sendo na altura o sócio número 28 do Sporting. Oito anos antes, havia sido distinguido com o Prémio Stromp, na categoria Dedicação, sendo recordado pelo serviço ao desporto e ao Clube que tanto amou.
Técnico brasileiro chegou ao Sporting na Presidência de Sousa Cintra, mas não teve o sucesso desejado, acabando substituído pelo seu adjunto
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Marinho Peres (1947 – 2023) nasceu a 19 de março de 1947, no Brasil, tendo falecido em setembro de 2023, teve uma carreira notável enquanto futebolista, chegando a representar o Barcelona e sendo internacional pelo seu país. No Sporting, foi treinador principal por duas temporadas, com destaque para a chegada às meias-finais da Taça UEFA.
A carreira de Marinho Peres como futebolista começou no Brasil. Após vários anos ao serviço do São Bento e da Portuguesa, o defesa-central mudou-se para o Santos, em 1973, onde esteve por duas temporadas, tendo realizado 74 encontros, nos quais apontou cinco golos.
Nos dois anos em que representou o histórico emblema brasileiro, Marinho Peres dividiu balneário com Pelé, nome mítico do futebol mundial, isto antes de rumar ao Barcelona, onde haveria de ser colega de outra lenda do desporto rei, Johan Cruyff. Na sua estadia nos culés, que durou apenas ano e meio por problemas burocráticos, o central realizou 29 encontros e marcou quatro golos. No regresso ao Brasil, onde haveria de terminar a carreira, Marinho Peres representou emblemas como o Internacional Galícia, Palmeiras e América.
Nota ainda para as 12 internacionalizações pelo Brasil, com a estreia a acontecer num amigável diante do Peru, que terminou com goleada dos canarinhos, por 4-0, com golos de Rivellino (10’), Gerson (35’), Tostão (37’) e Jairzinho (52’). O único tento que Marinho Peres marcou pela Seleção aconteceu num triunfo diante do Paraguai, por 2-0, num encontro de cariz amigável.
Após a sua carreira de futebolista, Marinho Peres tornou-se treinador. Em Portugal, o brasileiro começou por orientar o Vitória de Guimarães, levando os minhotos a um histórico terceiro lugar na temporada 1986/87. No ano seguinte, mudou-se para o Belenenses onde voltou a repetir a ‘gracinha’ e levou os lisboetas ao lugar mais baixo do pódio.
Em 1988, Marinho Peres regressou ao Brasil para treinar o Santos e o regresso a Portugal estava destinado, sendo que o Sporting foi a porta de entrada. Em 1990, Sousa Cintra, então Presidente dos leões, contratou o técnico brasileiro, que gozava de um enorme prestígio internacional.
Na temporada de 1990/91, Marinho Peres teve uma temporada agridoce no Sporting. No Campeonato Nacional, os verdes e brancos terminaram no terceiro lugar, com 56 pontos, atrás do Porto (67) e do Benfica (69). Na Taça de Portugal, os leões foram eliminados nos oitavos-de-final pelo Boavista.
Todavia, nas competições europeias, o Sporting de Marinho Peres - que disse das boas a Balakov - brilhou. Na Taça UEFA, os leões deixaram pelo caminho os belgas do Mechelen (3-2, primeira eliminatória), os romenos do Timisoara (7-2, segunda eliminatória), os neerlandeses do Vitesse (4-1, terceira eliminatória) e os italianos do Bolonha (3-1, quartos-de-final).
Nas meias-finais, o Sporting acabaria por ser eliminado pelo Inter. Após um empate a zero no Estádio José Alvalade, a turma de Marinho Peres haveria de ser derrotada, por 2-0, no reduto dos italianos que conquistariam, a competição, com golos de Lothar Matthäus (15’) e Jürgen Klinsmann (35’).
Na temporada seguinte, Marinho Peres seria despedido de técnico do Sporting após um empate, a uma bola, no reduto do Salgueiros, isto já depois da eliminação da Taça de Portugal diante do Porto e com os verdes e brancos bem longe do primeiro lugar do campeonato, que seria conquistado pelos dragões. O substituto foi o seu adjunto, António Domínguez.
Até final da carreira enquanto técnico, Marinho Peres orientou, ainda, emblemas como o Vitória de Guimarães, Botafogo, Marítimo, Belenenses, Juventude ou ASA (Angola). Nota para o facto de ter sido distinguido com o Prémio Stromp, em 1991, na categoria de treinador.
Antigo dirigente, licenciado em Medicina, foi o responsável pelo período de transição que terminou com a eleição de João Rocha, 7 de Setembro de 1973
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Manuel Henriques de Nazareth, nascido a 10 de maio de 1911, em Moçambique, licenciou-se em Medicina e viria mesmo a ser o médico pessoal de António de Oliveira Salazar, durante mais de 20 anos, até à morte do ditador, em setembro de 1968. Admitido como sócio do Sporting a 18 de março de 1943, foi sempre conhecido pela sua paixão ao Clube que, um dia mais tarde, viria a dirigir.
Antes disso, em 1962, assumiu o cargo de Vice-Presidente para as Atividades Desportivas na direção de Joel Pascoal, sendo que um ano mais tarde assumiu funções como Vice-Presidente para as Relações Exteriores na lista liderada por Orlando Valadão Chagas. Após a renúncia deste dirigente poucos dias depois, a 4 de abril de 1973, Nazareth assumiu interinamente a Presidência do Sporting, conforme previsto nos estatutos do clube.
Apesar de ter liderado o emblema de Alvalade, Manuel Nazareth deixou sempre claro que não tinha ambições de exercer estas funções e, por esse motivo, manteve-se no cargo apenas até à eleição de João Rocha como Presidente, a 7 de Setembro de 1973.
Nestes cinco meses à frente do Sporting, a decisão mais impactante que tomou foi o despedimento do treinador inglês Ronnie Allen, que decidiu substituir por Mário Lino. Este último foi, assim, o grande responsável pela conquista da Taça de Portugal na temporada 1972/73.
A passagem de Manuel Nazareth pela Presidência do Sporting, embora breve, ajudou a que o Clube mantivesse a sua estabilidade e serviu para assegurar, acima de tudo, o funcionamento regular do mesmo até à eleição de uma nova liderança. Morreu aos 91 anos, a 7 de Março de 2003, e continua a ser lembrado pela sua dedicação aos leões.